Sinopse
Tendo como ponto de partida o texto do filósofo Gilles Lipovetsky, a montagem do Grupo [pH2]: Estado de Teatro chama a atenção para a apatia geral que o
mundo contemporâneo vive. O espetáculo utiliza 1500 litros de água para contar a história de seis figuras que vivem em um mundo totalmente alagado.
Inspirados no texto Narciso ou a Estratégia do Vazio, do filósofo francês Gilles Lipovetsky, que esmiúça a constante individualização no mundo atual e a consequente subjetivação das formas de vida, o Grupo [pH2]: Estado de Teatro APRESENTA o espetáculo MANTER EM LOCAL SECO E AREJADO.
Com direção de Rodrigo Batista e, inicialmente, dramaturgia de Beatriz Vilas Boas, a peça tem criação e realização dos artistas Daniel Mazzarolo, Julia Moretti, Luana Gouveia, Luiz Pimentel, Maria Emília Faganello, Paola Lopes e Rodrigo Batista. O grupo [pH2]: Estado de Teatro formulou e desenvolveu o espetáculo durante as aulas de Direção e Dramaturgia da ECA / Universidade de São Paulo, onde alguns já se formaram e outros ainda estão cursando.
MANTER EM LOCAL SECO E AREJADO mostra um mundo alagado, em que a água está “brotando” de todos os lugares e os personagens se adaptam a esta nova realidade. Os temas tratados são relacionados, em alguma medida, com a idéia de um novo narcisismo sugerido por Lipovetsky e a sua ‘estratégia do vazio’. “Montamos o espetáculo a partir de um recorte baseado no que o filósofo chama de falta de sensação trágica de fim de mundo”, explica o diretor e também ator Rodrigo Batista. “A escolha do texto se deu porque vários integrantes do grupo já o tinham lido e, também, por se tratar exatamente de um retrato, escrito de forma vertiginosa de um tempo que depois, em outra obra, Lipovetsky chamaria de ‘tempos hipermodernos’”, completa ele.
Leituras metafóricas sobre a água
O espetáculo utiliza 1500 litros de água, disposta em três corredores de dois metros de largura por sete metros de comprimento que formam um espelho d’água de cinco centímetros de profundidade. “Os três corredores são divididos em Casa de Banho, Lavanderia Pública e Cozinha. Nesses espaços há a água que fica no chão e também várias garrafas cheias de água, onde já explicitamos a metáfora entre situação e adaptação”, conta Rodrigo.
Fazer um ambiente, literalmente, alagado tem como objetivo mostrar a instabilidade do local em que as personagens pisam. “A intenção é passar a ideia de um lugar que está se dissolvendo. No espetáculo a água é algo que comprime as pessoas e está bem afastada de uma leitura ecológica e de sustentabilidade”, adianta o diretor. Nesse sentido, a relação com o que é líquido ganha novo significado: em contato com tudo e estando por toda parte, a água torna-se um risco para a integridade dos corpos. Estão em cena a consequente vulnerabilidade que a água traz e a adaptação humana, e catástrofes não só naturais, mas também da ordem das relações, ou seja, dos modos de operar no mundo.
“Tentamos nos esquivar de um campo meramente discursivo e assumir a inventividade de um outro espaço: um mundo em ruínas que ignora sua condição. Um alagamento constante como pressuposto do cotidiano”, explica Rodrigo, que conta ainda que todos os personagens usam galochas. “No espetáculo, o pé é objeto de desejo mantendo uma relação de prazer, e até sexual, entre as personagens, pois afinal é algo que está sempre escondido e seco.”
Seis figuras distintas
As seis personagens foram ganhando vida por meio de pequenas intercorrências. “São figuras que sabem que o mundo está acabando, mas continuam com sua vida normal, como o panfletário que tenta explicar o que está acontecendo ou a figura de Hitler, que aparece no espetáculo como um estranhamento”, diz Rodrigo.
Há também os lavadores, instalados na Casa de Banho, e que aparecem todos paramentados com figurinos que remetem a roupas de guerra biológica, a mulher que recorta jornais e é a responsável pelas notícias e o apático, que ainda não captou os acontecimentos ao seu redor. “Sempre foi o nosso interesse estabelecer um mundo que afetasse fisicamente as figuras, por isso a criação de um mundo ficcional. Um mundo que não está diretamente ligado com o que vivemos, ou com o que Lipovetsky fala, mas que se remete a ele num campo poético”, conta o diretor.
Sobre a Cia. [pH2]: Estado de Teatro
Integrada por atores formados e alguns ainda cursando o Curso de Artes Cênicas da ECA/USP, sob a orientação de Antônio Araújo e Sérgio Carvalho. A Cia [pH2]: Estado de Teatro surgiu no ano de 2007 a partir de exercícios em sala de aula. Manter em Local Seco e Arejado é a primeira peça do coletivo.

Ficha Técnica
Direção: Rodrigo Batista
Dramaturgia: Coletiva
Elenco: Bruno Caetano, Julia Moretti,
Luiz Pimentel, Maria Emília Faganello,
Paola Lopes e Rodrigo Batista.
Iluminação: Luana Gouveia
Operador de luz: Luana Gouveia
Sonoplastia: Rodrigo Batista e Rodolfo Valente
Operador de som: Catarina São Martinho
Colaboração em cenário: Hémon Vieira
Colaboração em figurino: Bárbara Wada
Voz em off: Paulo Celestino
Duração: 50 min.
Classificação etária: 14 anos