Mostra Nacional de Teatro de Uberlândia

01/03/2010

Inveja dos Anjos

Filed under: Sinopse dos Espetáculos — Associação de Teatro de Uberlândia @ 20:25

“Se eu gritar, quem poderá ouvir-me, nas hierarquias
dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse
para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua
natureza mais potente. Pois o belo apenas é
o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,
e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha
destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.
Por isso me contenho e engulo o apelo
deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia
valer? Nem Anjos, nem homens,
e os argutos animais sabem já
que nós no mundo interpretado não estamos
confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez
uma árvore na encosta que possamos rever
diariamente; resta-nos a rua de ontem
e a fidelidade continuada de um hábito,
que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.”

Rainer Maria Rilke

 

Quando Inveja dos Anjos começa, temos uma trinca de amigos discutindo suas memórias, discutindo sobre a importância da palavra escrita, sobre a concretude da palavra. A idéia é que a palavra é viva e isso expande seu poder tanto para o belo quanto para o terrível. Então – defende um deles -, é preciso colocar no papel tudo de ruim que nos incomoda, queimar, fazer uma grande fogueira do lodo pessoal e esperar pelo apagamento daquilo que não nos interessa. Vai saber…

A partir daí, o passado vai se materializando em cena, na forma de afetos perdidos ou a serem descobertos. E é sobre esse campo de afetos que o Armazém se debruçou para a construção de seu novo espetáculo. Depois de duas montagem – muito bem sucedidas – a partir de grandes nomes da dramaturgia (Bertolt Brecht e Nelson Rodrigues), a companhia volta ao seu projeto original: a construção do espetáculo a partir de uma pesquisa temática e formal.

Aqui, personagens e espaço cênico foram nascendo ao mesmo tempo. Os conflitos iam sendo descobertos como palavra e já materializados como cena, como ação. Ou vice-versa. As vigas de aço do cenário, um trecho de ferrovia que corta todo o espaço de representação, se tornaram uma síntese segura pra que a gente pudesse contar nossas histórias cheias de contradições, desesperos e epifanias. Como se a forma fosse conteúdo e o conteúdo fosse forma, a idéia em Inveja dos Anjos é que a dramaturgia e a cenografia instiguem o espectador a ‘editar’ enquadramentos, como se estivesse dentro de um dos vagões do trem e, pelas pequenas janelas, pudesse acompanhar um pedaço do filme da vida – que passa ligeira a sua frente.

Paulo de Moraes

 

 

 

Ficha Técnica

Direção: Paulo de Moraes

Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes

Iluminação: Maneco Quinderé

Figurinos: Rita Murtinho

Cenografia: Paulo de Moraes e Carla Berri

Trilha Sonora (Composição e Pesquisa): Ricco Viana

Projeto Gráfico: Alexandre de Castro

Fotografias: Mauro Kury

Assessoria de Imprensa: Mônica Riani

Produção Executiva: Flávia Menezes

Produção: Armazém Companhia de Teatro

Patrocínio: Petrobras

Elenco:

Marcelo Guerra (Eleazar)

Patrícia Selonk (Cecília)

Ricardo Martins (Tomás)

Simone Mazzer (Luísa)

Simone Vianna (Branca)

Thales Coutinho (Rocco/homem sem braço)

Verônica Rocha (Natália)

Classificação: 12 anos

Quanté

Filed under: Sinopse dos Espetáculos — Associação de Teatro de Uberlândia @ 20:15

Divagando sobre o tema Comércio, o Grupo Tripé, busca com o espetáculo Quanté! propostas que, depois de experimentadas enquanto jogo,  fossem reelaboradas para comporem cenas, sem contudo perderem sua característica de jogo improvisacional.

       Tal procedimento promoveu abertura a outros aspectos para além performance dos bailarinos-atores, tais como a investigação do espaço urbano como lugar de apropriação cênica e a busca da relação ator x espectador.

       O resultado é a construção de cenas-jogos, onde o grupo pode improvisar a partir de momentos previamente estruturados e acionados de diferentes formas durante a sua apresentação perante o público.    

   Entre o lúdico e a crítica social e utilizando como suporte para ações corporais grandes sacolas, típicas dos conhecidos sacoleiros, o resultado é a construção de cenas-jogos, onde o grupo pode improvisar a partir de momentos previamente estruturados e acionados de diferentes formas durante a sua apresentação perante o público.

   A proposta estética parte de experiências híbridas entre dança e teatro, com pretensões de estabelecer relações com público que somente podem ser suscitadas em espaços públicos urbanos.

   O espetáculo Quanté! foi elaborado buscando a experiência da transitoriedade na ocupação do espaço urbano, na perspectiva de não espetacularizar a cidade, mas invadir, confundir, deixar-se penetrar pelo momento presente dos acontecimentos.

 

Ficha Técnica

Elenco:

Ana Zumpano

Cássio Machado

Daniela Reis

Jacqueline Carrijo

Poliana Diniz

Thiago Xavier

Composição Coreográfica: Grupo Tripé, Lakka (Transporte de Mercadoria)

Gravação Voz Off: Fernando Prado

Figurino, Sonoplastia e Direção: Getúlio Góis

Duração: 45 min.

Classificação: Livre

As Criadas

Filed under: Sinopse dos Espetáculos — Associação de Teatro de Uberlândia @ 20:06

As Criadas, uma história de duas irmãs, Claire e Solange, que planejam dia após dia a morte de sua patroa. Inocentes ou vilãs, assumem o risco de “traçar” cartas de denúncias, que acabam por levar o “amado” de sua Madame para a prisão. Ora  servas, ora senhoras; as criadas se confundem em um jogo de poder e submissão, amor e o ódio.

Ficha Técnica

Concepção e Direção: José Luiz Filho

Elenco:

André Rodovalho

Ernane Fernandes

Felipe Braccialli

Renan Bonito

Wesley Mello

Designer de Luz: Fernando Prado

Operação de Luz: Fredy Abreu

Pesquisa Musical: José Luiz Filho e Fred Abreu

Operação de Som: Bárbara Prata

Cenário e Figurinos: José Luiz Filho

Programador Gráfico: Tiago Pimentel 

Duração: 75 min.

Classificação: 16 anos

O Casamento da Dona Baratinha

Filed under: Sinopse dos Espetáculos — Associação de Teatro de Uberlândia @ 20:00

É uma peça de teatro com bonecos de balcão (manipulação direta.

O Casamento da Dona Baratinha narra a antiga fábula com uma linguagem contemporânea, a partir dos sete pecados capitais. A Rosa Baratinha, uma barata ingênua e vaidosa, que fica rica, ganhando na loteria se prepara para escolher um marido. Quem será o escolhido? Os pretendentes, também bonecos, são representações dos pecados referidos: o Boi Pacífico, que ao contrário do nome é irado; o Porco Napoleão, rico e avarento, o folgado Valadão, e outros que garantem atenção e bom humor durante uma hora de espetáculo.

Com esta peça pretendemos interagir público e atores na formação de opinião e conceitos, uma vez que ao utilizar os animais como referenciais de comportamentos humanos, abordamos uma série de aspectos da vida cotidiana e assim podemos fomentar novas reflexões e questionamentos.

 

Ficha Técnica

Direção: Marcelo Ribas

Co-direção: Angie Mendonça

Elenco / Manipuladores:

Camila Merola

Maria Inês Mendonça

Michelle Marques

Rafael Mazer

Rafael Naufel

Robson Ferraz

Contra regra: Gabriel Alves

Iluminador: Itamar Hizkiya

Duração: 60 min.

Classificação: Livre

Ruas de Barros

Filed under: Sinopse dos Espetáculos, Uncategorized — Associação de Teatro de Uberlândia @ 19:55

A vida e a obra do poeta Manoel de Barros são a matéria-prima do espetáculo poético-musical RUAS DE BARROS, do Grupo Chão de Teatro, que apresenta-se na Mostra Nacional de Teatro de Uberlândia, dia 13 de março.

 Ruas de Barros narra o perfil biográfico do poeta Manoel de Barros através de seus próprios poemas, com ênfase em seu estilo de criação literária, denominado pelo próprio autor de “criançamento das palavras”.

Os mais importantes personagens presentes em seus livros aparecem materializados e são colocados em contato com o poeta. A relação do poeta com seus personagens é intercalado por intervenções musicais e por canções cujas letras são poemas do próprio autor.

A peça, escrita e dirigida por Frederico Foroni,  chega a Uberlândia com o Prêmio de Melhor Trilha Sonora, do compositor Marcus Siqueira, e indicação de Melhor Espetáculo de Rua no Festival Nacional de Ponta Grossa – PR. 

O espetáculo, que fez parte do projeto Arrastão Poético Manoel de Barros, contemplado pelo Edital de Difusão Literária do ProAc 2009, inclui também uma itinerância em torno do local onde a peça será apresentada, dizendo e cantando versos do poeta pantaneiro minutos antes do início da apresentação.

 

FICHA TÉCNICA

Textos: Manoel de Barros

Direção e Dramaturgia: Frederico Foroni

Atores: Melina Anthis, Antônia Mattos, Iris Yazbek

Paulo Williams

Cenário e Figurinos: Carolina Bassi

Direção Musical: Marcus Siqueira

Maquiagem: Frederico Foroni

Assistência de Direção Musical: Antônia Mattos

Produção: Grupo Chão de Teatro

Apoio: Espaço Terra Forte 

Duração: 50 min.

Classifcação: Livre

Esse Mundo é uma Bola… Ora Bolas!

Filed under: Sinopse dos Espetáculos — Associação de Teatro de Uberlândia @ 19:48

A Cia Teatral Língua de Trapo apresenta o espetáculo Esse Mundo é uma bola… Ora Bolas! de autoria de Paulo Marcos de Carvalho. O texto é uma alegoria sobre a guerra.  “A partir de duas crianças vizinhas, tecemos o nosso drama: um menino de nome Pelotão e uma menina de nome Brigada. Ele filho de um velho general  e ela filha de uma velha brigadeira. Na verdade são dois clows que no decorrer da trama através de brinquedos e brincadeiras vão desnudando os absurdos da guerra até que acabam por concluir que tudo aquilo é uma bobagem e que o melhor mesmo é viver como bons amigos; que o mundo, ora bolas, é uma bola, e como tal serve para brincar e fazer amigos…” Disse o autor do espetáculo e continuou:  “O espetáculo ressalta, além da questão explícita da importância da paz, o respeito às diferenças, que se alguma guerra houver, que seja feita com confetes e serpentinas.”  

   “E é assim que pretendemos discutir os valores fundamentais que a nosso ver estão sendo desprezados, mas que continuam imprescindíveis para o desenvolvimento de uma humanidade fraterna e livre, amante da paz universal.  Que todo homem possa, enfim, ser amigo de outro homem. Que haja apenas amigos que brincam, sem machucar um ao outro.” Declarou a atriz Iara Rocha, que divide o palco com o autor.

  Para contar a história nos servimos da linguagem clownesca, cômica e lírica tão afeita ao publico infantil. A direção se apóia na partitura cênica dos atores e no estudo das ações dramáticas. A sonoplastia, os figurinos, os cenários e os adereços são inspirados na linguagem dos Histórias em Quadrinhos.

 

Ficha Técnica:

Texto e Direção – Paulo Marcos de Carvalho,

Elenco -  Iara Rocha e Paulo Marcos de Carvalho

Músicas e Sonoplastia – Raphael Teixeira,

Músicos Estúdio – Dino Fernandes, Maestro Jibóia,

Wellington Ferreira, Marcos Balthar, Raphael Teixeira,

Participação Especial – Coral Vozes do Amanhã

Regência – Lú de Oliveira, Gravação  – MB SOM

Iluminação – Pablo Rodrigues, 

Figurinos, Cenário e Adereços -  O Grupo,

Direção de Movimento – Josué Soares,

Assessoria Pedagógica -  Carlos Roberto de Carvalho,

Fotos – Nino Fritz,

Arte – Coletivo Natoca

Direção de Produção -  Iara Rocha

Duração: 50 min.

Classificação: Livre

Um Presente dos Deuses

Filed under: Sinopse dos Espetáculos — Associação de Teatro de Uberlândia @ 19:40

Imagine a história de um dos Deuses mais cultuados da Índia, numa época em que a Terra era dividida entre forças igualmente poderosas como Deuses e Demônios, num espetáculo narrado através da dança e do teatro, unindo elementos da cultura indiana e referências do nordeste brasileiro. É nesta atmosfera que o diretor e ator-dançarino Leandro Lobo integrante do corpo de baile da novela “Caminho das “Índias e Cassiana Rodrigues, assistente de coreografia da novela, recriam, em curta temporada (dias 05,12, 19 e 26 de maio), no SESI, o nascimento de Sri Krishna. O Deus que restabeleceu a Paz na humanidade.

Com  técnicas extraídas do Teatro-Dança Clássico indiano, como o Kathakali, Kuchipudi e a Mohiniattam, o grupo Travessia Teatro conta essa bela história sobre o eterno conflito entre o bem e o mal buscando aproximar estas culturas tão ricas, complexas e diversificadas como a indiana e a brasileira. Os cenários trazem elementos da cultura nordestina e instrumentos desta região são percebidos nos ritmos indianos que permeiam o espetáculo. Os atores-dançarinos Leandro Lobo e Cassiana Rodrigues passaram diversas temporadas na Índia, o que os possibilita oferecer ao espectador uma experiência mágica, com total legitimidade e embasamento, fazendo uso de duas formas dramáticas de expressão inseparáveis no país, o teatro e a dança.

O grupo tem uma grande preocupação com as diversidades culturais e de que forma elementos desconhecidos à nossa cultura podem ser inseridos e transformados a fim de levar ao povo brasileiro a consciência da universalidade dos sentimentos humanos. O grupo mistura claramente elementos genuinamente brasileiros à sonoridade peculiar da cultura indiana, representados em um mundo onírico para traduzir sentimentos e emoções comuns a todos os povos. O Travessia Teatro também procura utilizar toda a miscigenação cultural e racial própria do Brasil para deixar claro que a essência da arte pode ser criada a partir de influências aparentemente distantes e, ao mesmo tempo, tão próximas. Isto é possível por tratar de temas universais, como o encontro, as transformações do homem e como estas emoções são transmitidas através da expressividade corporal. O grupo acredita na união entre os povos, as culturas e a arte.

 

Ficha Técnica:

Direção e Dramaturgia – Leandro Lobo

Atores-dançarinos – Cassiana Rodrigues e Leandro Lobo

Iluminação – Pablo Rodrigues

Figurinos – Débora Lopes

Trilha Sonora – Chico Costa

Cenário – Leandro Lobo

Participação de Chello – Bruno Sampaio

Participação de Sax – Chico Costa

Participação de Viola Caipira – Alfredo Del Penho

Projeto de Sonorização e Mixagem – Branco

Operação de Som – Daniel Wally

Operação de Luz – Caverninha

Fotos – Tatiana Farache

Projeto Gráfico – Adriana Marinho

Assessoria de imprensa – Valentina Assessoria de Comunicação & Marketing

Produção – Boemia Produções

Produção Executiva -  Rodrigo Ramos e Juliana Cabral

Realização – TravessiaTeatro

Duração: 60 min.

Classificação:  Livre

O Cabra que Matou as Cabras

Filed under: Sinopse dos Espetáculos — Associação de Teatro de Uberlândia @ 19:18

Um advogado vigarista, que sobrevive dando pequenos golpes em seus clientes, se vê envolvido em um caso de assassinatos de cabras e bodes. Uma trama cheia de traições, trapaças e reviravoltas, onde uma esposa maliciosa engana seu marido advogado que engana um comerciante ganancioso que engana seu empregado que engana um juiz que quer enganar todo mundo.

Uma comédia visceral que lida com as relações de poder e hierarquia implícitas no cotidiano das pessoas e trás o riso como força reveladora e de libertação, um riso festivo que não forja dogmas nem é autoritário, que exorciza os nossos medos e a nossas angustias.

O texto do espetáculo é uma livre adaptação da peça medieval francesa A Farsa do Advogado Pathelin, de autor desconhecido, mesclado com textos de cordéis nordestinos, esquetes de picadeiro, fábulas medievais, ditos populares e vários elementos da cultura popular brasileira. Produzindo, assim, um texto original, inquieto e ágil, contendo bastante versatilidade e surpresas. A encenação também busca essa pluralidade, trabalhando com diversas linguagens, como o teatro de bonecos, circo e músicas cantadas e tocadas ao vivo. Elementos que ajudam a construir um universo de encantamento regido somente pelas leis do teatro e do carnaval.

O que o espetáculo anseia é um caráter regenerador, transcendente, renovador. Um fôlego de vida marcado pela ambivalência entre o antigo e o novo, o que morre e o que nasce, o principio e o fim dos rituais.

 

Ficha Técnica

Elenco: Abilio Carrascal, Adriana Brito, Eliana Santos,

Izabela Nascente, Lázaro Tuim

Direção e Adaptação Dramatúrgica: Hélio Froes

Direção Musical: Sérgio Pato

Preparação Vocal: Abílio Carrascal

Coreografias: Lázaro Tuim

Cenografia:  Mara Nunes e Hélio Fróes

Figurinos e Bonecos: Izabela Nascente

Assistência de Figurinos: Mara Nunes

Maquiagem: Cia de Teatro Nu Escuro

Cood. de Pesquisa:  Pedro Plaza, Maurício de Bragança

Pesquisa Histórica: Allysson Garcia e Bruno Garajau

Duração: 60 min.

Classificação: Livre 

 

O Caderno da Morte

Filed under: Sinopse dos Espetáculos — Associação de Teatro de Uberlândia @ 19:10

A Adaptação teatral

 Inicialmente, é por acreditar no teatro como uma arte capaz de tocar o ser humano e de instigar reflexões e mudanças, que torna ser relevante levar O Caderno da Morte para diferentes palcos. Trata-se de afirmar o teatro como cultura atuante e transformadora. O espetáculo questiona a ética dos indivíduos, sem deixar que a discussão comece e acabe do outro lado do mundo, e concretiza em nossa realidade brasileira sua linguagem dinâmica e inteligente, agradando tanto jovens quanto adultos.

 O nosso espetáculo não é e nem pretende ser uma reprodução cênica dos quadrinhos, mas uma criação teatral inspirada na história original. A adaptação faz uso do tema, da estrutura do texto, das personagens, suas relações e imagens, e também da  aproximação à realidade do jovem brasileiro. Através das ferramentas projeção de vídeos, jogos de luz, efeitos sonoros, figurinos, cenografia, a manipulação de imagens e som ao vivo costurados por atuação direta e ágil, buscamos a superação do desafio de se contar uma história em cerca de 100 minutos de espetáculo.

 A dinâmica teatral tem várias vantagens: poder criar seqüências de ação reais, e estabelecer uma verdadeira tensão com público, que está acompanhando uma história policial fantástica diante de seus olhos. Visando isto, os profissionais deste projeto têm como objetivo tirar o maior proveito possível das características únicas do teatro.

 O Fantástico em Cena

Shinigami (Deus da Morte) é uma entidade presente na cultura japonesa. Seu trabalho é “levar” a alma dos humanos para o outro mundo. Seria um pouco equivalente a figura da morte no Ocidente.

Por ser um tema popular no Japão, aparecem com grande frequência em obras diversas. Um dos maiores destaques dos Shinigamis é no mundo do Mangá e do Animê. São os maiores divulgadores desses “contos” fora do Japão.

No Caderno da Morte, os Shinigamis tem uma grande participação no desenrolar da trama. Além do Shinigami Ryuk, proprietário original do caderno da morte de Raito, há um outro Shinigami em contato direto com o mundo humano.

Representando em grande parte o elemento fantástico da história, fora o caderno em si que faz parte de seu mundo, os Deuses da Morte causam o estranhamento necessário ao público para manter uma das características de um conto épico, o distanciamento.

 “Todo aquele senso de justiça que o senhor me ensinou, agora eu estou aplicando.

 Me deixa continuar.”

 

Ficha Técnica

Direção: Alice K.

Adaptação Teatral: Cia. Zero Zero

Dramaturgia: Bruno Garcia.

Elenco: Bruno Garcia, Miguel Atênsia, Rudson Marcello,

Thais Brandeburgo e Vinicius Carvalho.

Figurinos: Marina Baeder, Patrícia Brito e Lívia de Paula.

Cenografia: Laura Di Marc.

Sonoplastia: Gregory Slivar.

Imagens: André Menezes.

Iluminação: Eduardo Albergaria.

Operação de luz: Erik Morais e Nádia Recioli

Produção: Cia. Zero Zero

Fotógrafo: Alexandre Sales e Luiz Miotto

Design Gráfico: Gustavo Valezi.

Duração do espetáculo: 95 minutos

Sugeridos para maiores de 14 anos.

Manter em Local Seco e Arejado

Filed under: Sinopse dos Espetáculos, Uncategorized — Associação de Teatro de Uberlândia @ 18:50

Sinopse

Tendo como ponto de partida o texto do filósofo Gilles Lipovetsky, a montagem do Grupo [pH2]: Estado de Teatro chama a atenção para a apatia geral que o

mundo contemporâneo vive. O espetáculo utiliza 1500 litros de água para contar a história de seis figuras que vivem em um mundo totalmente alagado. 

 Inspirados no texto Narciso ou a Estratégia do Vazio, do filósofo francês Gilles Lipovetsky, que esmiúça a constante individualização no mundo atual e a consequente subjetivação das formas de vida, o Grupo [pH2]: Estado de Teatro APRESENTA o espetáculo MANTER EM LOCAL SECO E AREJADO.

Com direção de Rodrigo Batista e, inicialmente, dramaturgia de Beatriz Vilas Boas, a peça tem criação e realização dos artistas Daniel Mazzarolo, Julia Moretti, Luana Gouveia, Luiz Pimentel, Maria Emília Faganello, Paola Lopes e Rodrigo Batista. O grupo [pH2]: Estado de Teatro formulou e desenvolveu o espetáculo durante as aulas de Direção e Dramaturgia da ECA / Universidade de São Paulo, onde alguns já se formaram e outros ainda estão cursando.

 MANTER EM LOCAL SECO E AREJADO mostra um mundo alagado, em que a água está “brotando” de todos os lugares e os personagens se adaptam a esta nova realidade. Os temas tratados são relacionados, em alguma medida, com a idéia de um novo narcisismo sugerido por Lipovetsky e a sua ‘estratégia do vazio’. “Montamos o espetáculo a partir de um recorte baseado no que o filósofo chama de falta de sensação trágica de fim de mundo”, explica o diretor e também ator Rodrigo Batista. “A escolha do texto se deu porque vários integrantes do grupo já o tinham lido e, também, por se tratar exatamente de um retrato, escrito de forma vertiginosa de um tempo que depois, em outra obra, Lipovetsky chamaria de ‘tempos hipermodernos’”, completa ele.

 Leituras metafóricas sobre a água

O espetáculo utiliza 1500 litros de água, disposta em três corredores de dois metros de largura por sete metros de comprimento que formam um espelho d’água de cinco centímetros de profundidade. “Os três corredores são divididos em Casa de Banho, Lavanderia Pública e Cozinha. Nesses espaços há a água que fica no chão e também várias garrafas cheias de água, onde já explicitamos a metáfora entre situação e adaptação”, conta Rodrigo.

 Fazer um ambiente, literalmente, alagado tem como objetivo mostrar a instabilidade do local em que as personagens pisam. “A intenção é passar a ideia de um lugar que está se dissolvendo. No espetáculo a água é algo que comprime as pessoas e está bem afastada de uma leitura ecológica e de sustentabilidade”, adianta o diretor. Nesse sentido, a relação com o que é líquido ganha novo significado: em contato com tudo e estando por toda parte, a água torna-se um risco para a integridade dos corpos. Estão em cena a consequente vulnerabilidade que a água traz e a adaptação humana, e catástrofes não só naturais, mas também da ordem das relações, ou seja, dos modos de operar no mundo.

 “Tentamos nos esquivar de um campo meramente discursivo e assumir a inventividade de um outro espaço: um mundo em ruínas que ignora sua condição. Um alagamento constante como pressuposto do cotidiano”, explica Rodrigo, que conta ainda que todos os personagens usam galochas. “No espetáculo, o pé é objeto de desejo mantendo uma relação de prazer, e até sexual, entre as personagens, pois afinal é algo que está sempre escondido e seco.”

 Seis figuras distintas

As seis personagens foram ganhando vida por meio de pequenas intercorrências. “São figuras que sabem que o mundo está acabando, mas continuam com sua vida normal, como o panfletário que tenta explicar o que está acontecendo ou a figura de Hitler, que  aparece no espetáculo como um estranhamento”, diz Rodrigo.

 Há também os lavadores, instalados na Casa de Banho, e que aparecem todos paramentados com figurinos que remetem a roupas de guerra biológica, a mulher que recorta jornais e é a responsável pelas notícias e o apático, que ainda não captou os acontecimentos ao seu redor. “Sempre foi o nosso interesse estabelecer um mundo que afetasse fisicamente as figuras, por isso a criação de um mundo ficcional. Um mundo que não está diretamente ligado com o que vivemos, ou com o que Lipovetsky fala, mas que se remete a ele num campo poético”, conta o diretor.

  Sobre a Cia. [pH2]: Estado de Teatro

Integrada por atores formados e alguns ainda cursando o Curso de Artes Cênicas da ECA/USP, sob a orientação de Antônio Araújo e Sérgio Carvalho. A Cia [pH2]: Estado de Teatro surgiu no ano de 2007 a partir de exercícios em sala de aula. Manter em Local Seco e Arejado é a primeira peça do coletivo.

 

 

Ficha Técnica

Direção: Rodrigo Batista

Dramaturgia: Coletiva

Elenco: Bruno Caetano, Julia Moretti,

Luiz Pimentel, Maria Emília Faganello,

Paola Lopes e Rodrigo Batista.

Iluminação: Luana Gouveia

Operador de luz: Luana Gouveia

Sonoplastia: Rodrigo Batista e Rodolfo Valente

Operador de som: Catarina São Martinho

Colaboração em cenário: Hémon Vieira

Colaboração em figurino: Bárbara Wada

Voz em off: Paulo Celestino

Duração: 50 min.

Classificação etária: 14 anos

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